Resenha: O Coração é um Caçador Solitário, Carson McCullers

Lorraina Almeida 0 Comments

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Olá, pessoal! Hoje estou aqui para podermos conversar um pouquinho sobre esse livro que li recentemente.
Recebi ele da TAG Curadoria em dezembro de 2018, mas só fui conseguir fazer a leitura esse mês, e foi uma leitura extremamente longa e difícil, vou explicar direitinho o porquê.

A história se passa no sul dos Estados Unidos, nos anos de 1938-1939 em um momento pós Grande Depressão, em que as pessoas estavam sofrendo com trabalhos exaustivos e salários extremamente baixos, ou seja, a economia do país estava quebrada, mesmo após algumas reformas e leis novas para tentar levantar o país.

É nesse clima que conhecemos o personagem que dá o tom da narrativa e do enredo do livro, John Singer, surdo. Singer vivia com seu amigo (também surdo) Antonapoulos, há 10 anos, a história começa a tomar seu rumo quando Antonapoulos começa a agir de maneira estranha e causar muitos problemas para seu amigo, um parente próximo então resolve interná-lo numa clínica psiquiatra que ficava muito longe do local onde eles moravam. Essa distância foi muito difícil para Singer, que resolveu se mudar da casa que eles dividiam e foi morar em um quarto alugado.

A partir dessa mudança, nós conhecemos os outros quatro personagens principais que vão preencher os espaços da narrativa: Mick, filha dos donos da casa onde Singer vai morar; Biff Brannon, dono do restaurante onde Singer faz suas refeições diárias; Blount, um homem com ideais Marxistas; e o Doutor Copeland, um homem negro que se tornou médico e que luta diariamente pela causa negra no país.

Esses personagens, tão diferentes entre si perante a sociedade, mas que carregam dentro deles a mesma miséria humana: a solidão, encontram em Singer aquele que seria capaz de acabar com essa solidão. É interessantíssimo como cada um deles constrói uma imagem diferente sobre quem é esse surdo e em como ele se torna importante na vida de cada uma dessas pessoas.

Carson McCullers foi simplesmente genial na sua construção de personagens, eles são opostos que se complementam, e eles são tão iguais na simples noção de serem seres humanos, que possuem desejos, vontade, sonhos... e que ao mesmo tempo estão sendo barrados pela sua cor, pelo status social, pelos seus ideais progressistas, pelas dificuldades do seu local de nascimento, do seu pertencimento social. Sem contar a questão do personagem principal ser surdo e não possuir uma voz narrativa, ou seja, ele é definido através das vozes e das percepções de outros personagens. Todos vão à ele, falam com ele, porque encontram nele aquele que sabe ouvir (mas ele é surdo!), e isso foi genial.

No começo da resenha eu disse que foi uma leitura longa e difícil, e isso ocorreu por ser um livro que não é pautado em ações e acontecimentos, mas nas questões de cada uma das personagens e das suas particularidades. Esse tipo de leitura ainda está sendo construída na minha vida de leitora, por sempre ler livros de aventura, ficção e etc., então é necessário ter-se em mente de que esse livro não é sobre acontecimento, é sobre pessoas.  A partir do momento em que se tem essa noção fica mais fácil apreciar e gostar desse livro.

Então, minha recomendação é: leiam, mas não esperem dele mais do que aquilo que já está presente na narrativa.

Alguém aí já leu esse livro? Me conta aqui nos comentários o que vocês acharam da resenha, vamos conversar.
Até o próximo post!

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