Resenha: Esaú e Jacó, Machado de Assis

Lorraina Almeida 7 Comments


Olá, pessoal! Hoje estou aqui para podermos conversar sobre a minha mais recente leitura: Esaú e Jacó, de Machado de Assis.

Falar sobre a escrita do Machado é sempre uma oportunidade maravilhosa e um desafio imenso, além de genial, os seus livros são repletos de referências acerca de uma tradição literária que remonta séculos e séculos. Com esse livro não poderia ser diferente, claro, mas, mais do que isso, temos na construção do livro uma inspiração diretamente ligada à uma tradição bíblica sobre a primogenitura e a briga entre irmãos, que se repete incessantemente no texto religioso.

A história começa com Natividade e sua irmã, Perpétua, subindo o morro do Castelo para se consultarem com a cabocla a fim de tentar descobrir o futuro dos filhos gêmeos de Natividade. Durante a consulta, as únicas coisas que descobre sobre o destino dos filhos é que brigaram em seu ventre e que serão grandes no futuro, e isso é o suficiente para que a mãe apague toda a questão da briga e planeje uma vida grandiosa e espetacular para seus filhos.

Porém, o que realmente vai definir a vida desses irmãos é o fato de que eles brigam, desde o momento em que estavam na barriga da mãe até, provavelmente, o último dia de suas vidas. De um lado temos Pedro: monarquista e conservador, e do outro: Paulo, republicano e liberalista, tão idênticos fisicamente mas opostos na vida, na maneira de falar, de agir, e nos ideais que os definem. Para deixar tudo mais emocionante, ambos se apaixonam pela mesma mulher e ela se apaixona pelos dois, a duplicidade existente nesse amor é a tormenta de Flora, que não deseja nada além de poder juntar os opostos em um só corpo, pois aquilo que falta em um, existe no outro. Essa duplicidade e confusão emocional é a ruína da inexplicável Flora.

Não poderia fazer essa resenha sem comentar do nosso narrador, Aires, que ora é personagem e é narrado, e ora é narrador onisciente e onipresente. Essa dualidade machadiana, que está presente em toda a construção da narrativa, inclusive na estilística, é o que dá o tom ao livro.

Essa leitura foi muito diferente pra mim, porque eu conseguia perceber os jogos que o Machado estava fazendo comigo, me peguei rindo diversas vezes em momentos que nem eram tão engraçados, mas que era possível apalpar a ironia que estava lendo. Acho simplesmente incrível quando estou lendo algo e consigo entender o que está além da palavra e é por isso que esse livro alcançou um patamar de favorito pra mim.

É de uma simplicidade muito grande ler esse livro e pensar apenas nas questões históricas, o pano de fundo do livro é um Brasil que está em transição de monarquia para república, e esses temas estão ditos de maneira muito sutis para um leitor desatento, mas essa é só uma das facetas da narrativa. Essa obra, que conversa com todas as suas obras anteriores, desde o seu primeiro romance e os seus contos, está aqui para que possamos analisar a construção do mundo e a constituição do homem, este que é duplo na sua própria individualidade.

Apesar de amar o livro, não recomendo começar por ele caso não tenha lido absolutamente nada de Machado de Assis, como todo autor que possui uma carreira literária vasta, recomendo amadurecer juntamente com o autor, ou seja, ler seus primeiros livros, contos, peças de teatro, porque aí você vai conseguir absorver o tom da escrita e os não-ditos que maravilham gerações de leitores.

Alguém por aí já leu algo do Machado? Me conta aqui nos comentários!
Até o próximo post.

7 comentários:

  1. oi!
    Que livro maravilhoso :D eu amo os livros de Machado de Assis ele é um gênio da nossa literatura..

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  2. Eu conheço a obra, mas ainda não tive oportunidade de ler, mas irei fazer isso, pois já li quase tudo de Machado de Assis que é o meu escritor brasileiro preferido.

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  3. Oi,tudo bem ?

    Amei a dica de leitura e acho tanto a escrita como as obras do Machado de Assis maravilhosas, com sua importancia e peso para a literatura. Com toda certeza está é uma ótima dica de leitura.

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  4. Seu texto ficou maravilhoso! Gostei da preocupação no final de não recomendá-lo a quem não é conhecer do autor, o que é meu caso, mas ainda assim torná-lo atraente a um leitor que procura uma recomendação. Graças ao seu post, talvez eu me aventure mais uma vez no mundo de Machado de Assis!

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  5. Olá!

    Acredito que nunca li nada do autor? Tenho um livro dele chamado Helena em minha estante, mas ainda não tive tempo de realizar a leitura.
    Achei a trama interessante por conta dessa paixão que a protagonista sente pelos irmãos gêmeos. Irei conferir outras obras do autor, mas esse também já está na lista!

    www.pactoliterario.blogspot.com.br

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  6. Falar sobre essa escrita do Machado é realmente um desafio muito bom. As obras são maravilhosas e me fez ter vontade de reler algumas.
    Beijocas.

    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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  7. Oi, tudo bem? Gosto muito de Machado de Assis e lembro das leituras exigidas para os vestibulares de prestei. A linguagem é um tanto rebuscada e realmente para alguns leitores pode ser um tanto difícil ler e buscar significado de algumas expressões. Mas são leituras que têm muito a acrescentar. Um abraço, Érika =^.^=

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