Resenha: O Sentido de um Fim, Julian Barnes

Lorraina Almeida 0 Comments


Olá, pessoal! Hoje estou aqui para comentarmos um pouquinho sobre um livro incrível que li no mês passado e que ainda está sendo digerido e absorvido pela minha vida de leitora, O Sentido de um Fim do escritor Julian Barnes.

O livro possui uma narrativa em primeira pessoa e é de caráter memorialista, ou seja, ele é contado por um personagem que já está em idade avançada sobre os acontecimentos de sua vida, desde a adolescência até o momento atual.

Tony Webster, personagem principal e narrador, divide o livro em duas partes, a primeira é centrada na sua adolescência por volta da década de 50 e 60 e em como ele foi se formando como pessoa, através de seus três melhores amigos, recaindo sempre sobre os temas e conversas que tinham como um grupo.

Assuntos como primeiras vezes, romance, morte, drogas e até mesmo suicídio são alguns que ele aborda e narra. A maneira que ele desenvolve os acontecimentos nessa primeira parte possui um panorama sobre como foi a adolescência da época e, até mesmo, sobre como esses mesmos temas estão presentes na nossa juventude atualmente, como dizia Belchior "ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais".

A narrativa ganha uma nova voz quando chegamos na segunda parte do livro e nos encontramos com um personagem mais velho, e esse mesmo personagem que possuía tantas convicções quando mais novo, começa a repensar sua vida ao receber a herança de um dos seus melhores amigos da época da adolescência, depois de anos sem ter tido qualquer contato e com a notícia que o mesmo cometera suicídio, o personagem coloca em cheque todas as suas certezas e começa a ter o vislumbre de que uma mesma história possui outros lados.

Voltar ao passado nunca é fácil, principalmente quando percebemos que as nossas certezas não possuem mais sustentações suficientes para se manter em pé e você assiste cada uma delas caindo, ao conhecer os outros lados e outros fatos antes desconhecidos. Faz a gente pensar sobre a própria responsabilidade em determinados acontecimentos, e por um instante, analisamos não mais o que o outro fez e que gerou determinada atitude nossa, mas sim o que fizemos e como isso gerou atitudes que desconhecemos e sobre o qual não possuímos nenhum poder sobre, porque o passado não pode ser mudado.

Esse livro possui uma narrativa interessantíssima, eu, particularmente, amo livros memorialistas, em que o personagem conta sobre o passado, porque faz a gente refletir sobre a nossa própria vida e sobre coisas que a gente acha que são verdades absolutas. Julian Barnes escreve de maneira intrigante e o livro é repleto de frases sobre filosofia, vida e aprendizados, dá vontade de sair marcando o livro inteiro.

Mesmo em suas poucas 176 páginas ele possui uma profundidade imensurável, e Barnes desenvolve essa profundidade de maneira incrível. Eu ainda tenho diversas questões sobre determinados acontecimentos que ficam martelando na minha cabeça e que vão me fazer voltar à ele em algum momento futuro da minha vida. 

Recomendo muito não só a leitura, mas à ruminação de suas páginas, refletir sobre o livro pode ser algo delicioso se você se dedicar um pouco à isso.

Mas me contem vocês, alguém aí já leu esse livro ou pretende depois de ler a minha resenha? Comentem aqui embaixo, vamos conversar. Até o próximo post.

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