#2 Autores: Fernando Pessoa

Lorraina Almeida 0 Comments


Olá, pessoal! Como vocês estão?
Hoje, vim aqui na missão de falar um pouquinho de um autor que eu amo muito para vocês: Fernando Pessoa.

Primeiramente, vou contar um pouquinho de como eu conheci esse autor. Eu tinha por volta de uns 10 anos, estava lendo A Marca de uma Lágrima, do Pedro Bandeira, e em uma das folhas que separa os capítulos tinha a primeira estrofe do poema Autopsicografia

"O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."

Esse poema foi um divisor de águas na minha vida, porque foi o meu primeiro contato com poesia, e logo de cara já foi algo tão complexo que engloba em si diversas questões como o fazer poético, eu lírico, narrador e o contraste de ficção vs realidade
Esse primeiro contato com Pessoa em um livro tão bom foi importantíssimo para eu procurar seus poemas na internet e acabar conhecendo os seus heterônimos.

O Fernando Pessoa era um escritor tão múltiplo, tão intenso que ele não se cabia em si, acabou construindo os seus heterônimos numa tentativa de conseguir dar conta dos seus fazeres poéticos, os mais conhecidos são: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. O mais incrível em sua obra é a personalidade diferente e única que cada um deles possuía, particularmente, o meu favorito é o Alberto Caeiro. Cada um deles possui uma história de vida, data de nascimento e morte, e o Pessoa foi tão intenso em sua criação que até mesmo o Mapa Astral de cada um deles ele fez.

Quando eu penso no Pessoa, acredito que ele conseguiu dar vida à sua obra, de maneira única, os seus personagens se tornaram seres viventes e agentes no mundo, e cada um deles conseguiu contribuir para a Literatura, influenciando e marcando todos os que vieram depois.

Atualmente eu estou lendo o seu livro ortônimo O Livro do Desassossego, que é tão incrível que vou guardar para fazer um post pra vocês só dele.
E hoje, vou me despedir indicando a leitura de uma poesia do Caeiro que eu sou simplesmente apaixonada!
A gente se vê no próximo post!

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

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