Resenha: Um Sopro de Vida, Clarice Lispector

Lorraina Almeida 0 Comments

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Olá, pessoal!
Hoje estou aqui para poder falar de Literatura Brasileira, existem diversos movimentos dentro de mim que me impelem a estar sempre procurando ler mais da nossa literatura, nem sempre eu consigo, na verdade, eu falho miseravelmente todas as vezes, mas continuo em frente. Acredito que me manter com esse interesse em algo que faz parte da nossa identidade como seres humanos no mundo é ótimo, até o momento levei diversos socos no estômago, e a Clarice é essa escritora que está sempre me trazendo de volta à vida.

Eu já contei para vocês como aconteceu a minha relação de leitora com a Clarice Lispector, caso vocês queiram saber mais um pouquinho sobre isso é só clicar nesse link aqui no qual eu faço um Reli, e agora? do livro A Hora da Estrela.

Vamos à resenha!

A escrita da Clarice é despretensiosa, dá pra sentir nas nos seus livros a falta de necessidade que ela tem de escrever aquilo que você quer ler, ela escreve pura e simplesmente porque ela precisa, é um ato de se transbordar nas páginas. E ele é composto exatamente pelos seus fluxos de pensamento.

Um Sopro de Vida foi um livro emocionalmente pesado, apesar da finura eu levei meses para ler, cada página exigia de mim semanas de introspecção. A Clarice não está escrevendo um livro com uma história demarcada, estruturalmente composto com início, meio e fim, ele possui uma passagem de tempo que não dá pra demarcar e é repleto de transgressões e epifanias.

Tentar defini-lo é cair em palavras vazias que não são capazes de descrever aquilo que está presente em sua obra. Ser uma leitora de Clarice é o eterno não saber o que dizer na hora de indicar o livro pro melhor amigo, e é a eterna descoberta de que a vida, apesar de bela, não é um mar de flores. Como a própria diz no livro "a vida é um soco no estômago" e é exatamente isso que ela está fazendo ao construir sua literatura: diversos socos no estômago, nos egos, nas verdades absolutas e, principalmente, na própria vida.

Ler Clarice requer muita sensibilidade, os seus livros são muito sensitivos e nem sempre estamos preparados para ler determinada coisa, então saber disso ajuda bastante para não taxá-la de má escritora, como eu já fiz muitas vezes, uma amiga costuma me dizer que existe uma hora para Clarice pra todo mundo, e eu acredito bastante nisso, existe um livro certo para um momento da vida certo. A gente só precisa ter a delicadeza necessária pra poder encontrar.

Eu queria pedir desculpas por não saber descrever esse livro para vocês, então vou deixar aqui a própria Clarice dar um gostinho do que é a sua obra:

"Este é um livro silencioso. E fala, fala baixo. 
Este é um livro fresco — recém-saído do nada. Ele é tocado ao piano delicada e firmemente ao piano e todas as notas são límpidas e perfeitas, umas separadas das outras. Este livro é um pombo-correio. Eu escrevo para nada e para ninguém. Se alguém me ler será por conta própria e auto-risco. Eu não faço literatura: eu apenas vivo ao correr do tempo. O resultado fatal de eu viver é o ato de escrever. Há tantos anos me perdi de vista que hesito em procurar me encontrar. Estou com medo de começar. Existir me dá às vezes tal taquicardia. Eu tenho tanto medo de ser eu. Sou tão perigoso. Me deram um nome e me alienaram de mim. 
Sinto que não estou escrevendo ainda. Pressinto e quero um linguajar mais fantasioso, mais exato, com maior arroubo, fazendo espirais no ar. 
Cada novo livro é uma viagem. Só que é uma viagem de olhos vendados em mares nunca dantes revelados — a mordaça nos olhos, o terror da escuridão é total. Quando sinto uma inspiração, morro de medo porque sei que de novo vou viajar e sozinho num mundo que me repele. Mas meus personagens não têm culpa disso e eu os trato o melhor possível. Eles vêm de lugar nenhum. São a inspiração. Inspiração não é loucura. É Deus. Meu problema é o medo de ficar louco. Tenho que me controlar. Existem leis que regem a comunicação. A impessoalidade é uma condição. A separatividade e a ignorância são o pecado num sentido geral. E a loucura é a tentação de ser totalmente o poder. As minhas limitações são a matéria-prima a ser trabalhada enquanto não se atinge o objetivo."

Desculpem pelas meias palavras e pela falta de substância, mas tentar escrever sobre ela é como tentar pegar fumaça com a mão. Mas me despeço hoje com a recomendação de darem uma chance a essa escritora incrível! 
E me falem vocês, alguém aí já se enveredou pelos caminhos da Clarice ou outro escritor brasileiro? Conta aqui nos comentários ou nas nossas redes sociais.
Até o próximo post!

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