Resenha: O Morro dos Ventos Uivantes

Lorraina Almeida 0 Comments


ISBN-13: 9788544000182
ISBN-10: 8544000185
Ano: 2014 / Páginas: 523
Editora: Martin Claret
Sinopse: Obra-prima da literatura mundial, a conturbada história de amor entre Heathcliff e Catherine continua a agradar os leitores de todas as épocas. A narrativa, com características góticas e realistas, transporta o leitor ao inóspito condado de Yorkshire, para dentro da misteriosa mansão que dá nome ao livro. Ali, personagens são delineadas e tragédias marcam uma geração. Emily Brontë criou um romance intenso, impossível não se envolver.

Olá, pessoal!
Hoje estou aqui com uma responsabilidade enorme de contar pra vocês como foi a minha experiência de leitura com O Morro dos Ventos Uivantes. 
O livro foi publicado em 1850 e divide muito a opinião dos estudiosos se deve ou não ser considerado um clássico por causa da linguagem utilizada. Por se passar no interior de Yorkshire a maneira como as pessoas falavam era muito específica da região e Emily Brontë retrata isso no livro.
A minha edição da Martin Claret defende a obra como clássica e o principal motivo é exatamente a retratação fiel da linguagem utilizada como característica dos próprios personagens. Tendo essa noção e sem querer consertar os "erros" do inglês, o tradutor fez um trabalho incrível trazendo esse "caipirês" para a língua portuguesa, e isso é fundamental para a ambientação do leitor.
Conheci esse livro através de Crepúsculo, quando tinha uns 14 anos, mais ou menos, li uma edição reduzida na época e pensava que era uma das maiores histórias de amor desde Romeu e Julieta, eu estava completamente enganada.
Por favor, não me batam, existe amor, mas existem tantas outras coisas ao redor dos personagens, que o amor é sufocado de uma maneira estrondosa. Mas não vou me adiantar, já já falaremos sobre isso.

A história do livro se passa em Yorkshire e o primeiro contato que temos com os personagens é através do Sr. Lockwood, um homem que aluga a Granja da Cruz do Tordo de Heatchcliff, porém, ele tem uma péssima impressão de seu senhorio, por ele ser homem grotesco, ignorante e sem nenhuma educação refinada. 
O próprio Lockwood, que se considera um misantropo, se sente sociável em comparação com Heatchcliff. Um dia, por causa da nevasca, ele não consegue voltar para a Granja e precisa passar uma noite no Morro dos Ventos Uivantes, atual residência de Heatchcliff. A noite foi tenebrosa, repleta de pesadelos e fantasmas, e uma atitude de Heatchcliff faz com que Lockwood se sinta extremamente curioso a respeito de sua história; ao volta,r no dia seguinte, para a sua residência, com uma gripe chegando, pede para que a governanta, Sra. Dean, lhe conte a história do homem misterioso.

A Sra. Dean cresceu com o menino Heatchcliff, ele foi trazido para o Morro pelo Sr. Earnshaw, dono das terras, depois de uma viagem a Liverpool e tentou convencer sua esposa e filhos a tratarem-no de maneira igual, porém o seu apreço por Heatchcliff era tão grande que a única coisa que os seus filhos, Catherine e Hindley, e sua esposa, Sra. Earnshaw, conseguiram sentir pelo menino foi inveja e ódio. Mesmo assim, ele permaneceu com eles na casa, tratado como um empregado e, muitas vezes, pior do que isso.

Heatchcliff foi encontrado na rua, sem saber dizer uma única palavra inteligível, ele era uma criança taciturna, não derramava uma lágrima quando apanhava de Hindley e o único momento em que era quase amável era quando estava com Catherine, que parou de vê-lo com inveja e começou a perceber que ali residia um grande amigo.
O que começou como uma amizade se transformou em um amor intenso entre os jovens, tão intenso a ponto deles odiarem um ao outro tanto quanto se amavam.

Todos os personagens possuem uma natureza muito voltada à vingança, absolutamente todos eles são mesquinhos, egoístas, egocêntricos. Catherine é extremamente mimada, o mundo inteiro gira a seu redor, e ela se utiliza do amor dos outros em relação à ela para conseguir tudo o que quer; Hindley possui determinados momentos da vida que quase esquece do ódio que sente por Heatchcliff, mas depois o ressentimento e a ira se estendem para o resto do mundo: seu filho, sua família, e sua própria vida quando se afoga na bebida; Heatchcliff já possuía dentro de si muito ódio, e a maneira como foi tratado ao longo da vida só fez com que aumentasse gradativamente, a sua sede de vingança faz parte de sua essência, nenhum amor no mundo seria capaz de mudar sua própria natureza.

Um ponto um pouco confusos do livro são os nomes dos personagens, Catherine e sua filha possuem o mesmo nome, e em outros personagens os nomes também são repetidos, então é necessário ler com atenção para não se perder, a transição de apenas filho para patrão também muda o nome dos personagens, no caso da família da Earnshaw, por exemplo após a morte do Sr. Earnshaw (pai) o Hindley passa a ser chamado somente de Sr. Earnshaw.
As duas famílias principais são  Earnshaw e Linton, elas se misturam através do matrimônio de alguns personagens, então tem personagem que tem o nome de um membro de uma família e o sobrenome da outra, estar atento a estes detalhes ajuda a não se perder no tempo da narrativa.

A maneira que a história é narrada é bem peculiar, a Sra. Dean foi uma espectadora dos acontecimentos da vida de cada um dos personagens, mas ela não está lá em todos os momentos, então o amor que existe entre Heatchcliff e Catherine não nos é mostrado, ele é dito pelos próprios personagens mas não existe uma narração sobre ele, acho que esse é um dos principais motivos pelo qual o ressentimento e a vingança são tão fortes nesse livro e o amor nem tanto, a Sra. Dean estava presente naqueles momentos, mas não nos outros.
O romance é uma eterna lacuna, quase superficial na sua duração dentro do livro porque ele não se concretiza; mas ao mesmo tempo, ele é visceral, a sua existência destrói os personagens quando se mistura com todos os sentimentos profundos que também estão presentes.

A narrativa de Brontë é de um violência tremenda, eu levei constantes socos no estômago ao longo da leitura por em algum momento da vida ter pensado que o romance era o tema principal do livro, os acontecimentos ao redor são o que dão corpo e forma à história.
Ele está constantemente abordando assuntos sobre preconceito racial e social, Heatchcliff é um homem negro, na minha mente, e mesmo assim ele foi retratado como um homem branco em 5 das 6 adaptações cinematográficas, mas as indicações de que ele não é branco está nas entrelinhas. O fato dele ser um homem negro e pobre está entre as coisas que Catherine pensa sobre ele e sobre o porquê do amor deles não poder acontecer, ela, mimada como era, escolheu para si um casamento com um homem rico, mesmo não o amando com todo o seu ser.

A essência humana é outra questão que está sempre em visibilidade, as pessoas escolhem a todo momento o seu destino e os seus caminhos, a narradora dá diversas dicas sobre como tudo seria diferente se as pessoas simplesmente tivessem escolhido outro caminho que não o da vingança. O amor aqui não é tido como o salvador da pátria, ele é só um sentimento, são as pessoas que escolhem o que fazer com cada um deles, todos coexistindo.

Indico essa leitura não com a mesma inocência que eu tive ao ler, leia-o consciente da crueldade existente em cada um dos personagens, não existem mocinhos assim como também não existem vilões. O Morro dos Ventos Uivantes é uma leitura, quase que obrigatória, para todos aqueles que buscam ler o mesmo livro várias vezes e se surpreender um pouco mais a cada leitura. Se tornou um dos meus livros favoritos e eu tenho certeza que lerei no futuro e lá na frente terei novas impressões acerca dele.

Espero que vocês tenham curtido a resenha, comenta aqui embaixo o que acharam e vamos conversar!
Até o próximo post.

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