Resenha: Cartas de Amor aos Mortos

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ISBN-13: 9788565765411

ISBN-10: 8565765415
Ano: 2014 / Páginas: 344
Editora: Seguinte

Sinopse: Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.

"Senti que algo entre nós mudou de posição como as placas tectônicas da Terra. Você acha que conhece alguém, mas essa pessoa sempre muda, e você também está em transformação. De repente entendi que estar vivo é isso. Nossas próprias placas invisíveis se movem em nosso corpo, e se alinham à pessoa que vamos nos tornar."(Carta de Amor aos Mortos, p. 307-308.)

Olá pessoal, como vocês estão?

Eu comecei a resenha de hoje com uma citação do livro que define exatamente a sensação que tive ao longo da leitura e no momento em que fechei o livro. Definitivamente ele foi uma placa que se moveu dentro de mim e que transformou a minha maneira de enxergar a vida.
Eu fiquei com muito receio de comprar esse livro, estava na Bienal do Rio e só trouxe para casa porque uma das vendedoras me disse que não iria me arrepender. E não me arrependi. Obrigada pela indicação, moça!
A autora Ava Dellaira desenvolve o livro com uma ideia extremamente inusitada. A personagem principal, Laurel, precisa escrever uma carta a alguém que estivesse morto, para um trabalho de inglês, uma tarefa extremamente dolorosa e complicada para uma adolescente que tinha acabado de perder a irmã em um acidente no qual ela estava presente
A narrativa começa com a primeira carta que Laurel escreve ao Kurt Cobain, eu lembro de ficar me perguntando "mas por que não escrever para sua irmã? Seria exatamente isso que faria se a tarefa fosse minha, uma oportunidade de me comunicar de alguma forma, com a memória que existe em mim"; e no momento em que pensei isso entendi, as memórias eram pesadas demais para Laurel. Lidar com a morte da irmã estava sendo a coisa mais difícil de sua vida, reviver esse tipo de sentimento requer uma coragem que ela não possui de imediato, mas que vai se construindo ao longo do livro.
O que se iniciou como um trabalho de escola, se tornou o seu maior refúgio, a possibilidade de escrever e colocar os sentimentos e confusões que existiam dentro dela, sem que fosse julgada ou interrogada a cada instante.

"Hoje, no fim da aula, quando a sra. Buster pediu para entregarmos as cartas, olhei para o caderno em que tinha escrito a minha e o fechei. Assim que o sinal tocou, recolhi meu material e saí. Tem coisas que não posso contar para ninguém além das pessoas que já não estão mais aqui."
(Cartas de Amor aos Mortos, p. 11)

Ao longo do livro a gente consegue perceber a quantidade de traumas que existem dentro da Laurel, traumas tão pesados que me perguntava a cada página como a personagem ainda estava ali, conseguindo enfrentar cada um deles, escrever para pessoas que jamais poderiam ler foi o que a manteve viva, foi a faca de dois gumes que doeu no momento em que se enfrentou, mas que a salvou de ter o mesmo destino que a sua irmã. O desenvolvimento da protagonista se dá de maneira intensa e comovente. Eu me senti muito próxima à Laurel e às suas dores, acredito que a mesma tenha me lido mais do que eu a ela.

"Talvez ao contar histórias, por pior que sejam, não deixemos de pertencer a elas. Elas se tornam nossas. E talvez amadurecer signifique que você não precisa ser uma personagem seguindo um roteiro. É saber que você pode ser a autora."
(Cartas de Amor aos Mortos, p. 312)

Um ponto extremamente positivo e que me cativou muito ao longo do livro foram as pessoas para as quais as cartas foram escritas: Kurt Cobain, Janis Joplin, Amelia Earhart, Jim Morrison, Amy Whinehouse, John Keats, etc. pessoas que marcaram e continuam marcando a minha vida, desde a adolescência até o meu momento atual de vida. É bem interessante poder ver de maneira tão bonita a internalização dessa influência em outra pessoa. A quantidade de novos conhecimentos acerca dos artistas que já conhecia também foi incrível para mim, descobri que In Utero é o melhor álbum do Nirvana e não Nevermind como passei a vida pensando, descobri que Janis Joplin não foi uma artista de uma música só e que a sua forma de cantar e a sua coragem pra estar em cima dos palcos ajudou e influenciou alguns ideais feministas que hoje carrego na minha bagagem, e principalmente, que escrever limpa, purifica e edifica. A palavra é a maneira mais primordial de se conhecer e de poder conhecer o outro.

Eu queria escrever pessoalmente uma carta à Ava Dellaira por ter escrito um livro tão lindo e emocionante como esse, agradecer à sua sensibilidade em relação aos sentimentos e a maneira como ela desenvolveu a história. Obrigada por me lembrar que sou um ser humano em eterna mudança.

A resenha de hoje foi muito complicada de escrever, e talvez tenha ficado um pouco sentimental me desculpem por isso! Mas não poderia fazer diferente. Espero que vocês tenham gostado, me contem aqui nos comentários, ou nas nossas redes sociais se vocês pretendem ler o livro, ou se tiveram a mesma impressão que eu quando leram.
Até a próxima!

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